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    Burnout: como profissionais e empresas podem detectar e tratar

    Publicado em 05/02/2019

    Segundo o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), duas de cada dez baixas laborais na Europa devem-se à chamada síndrome de “burnout”, um dado que põe em relevo a alta incidência deste transtorno no âmbito empresarial e a necessidade de que, tanto profissionais, como organizações, adotem medidas encaminhadas a reduzir a sua aparição e desenvolvimento.

    A origem dos estudos sobre o síndrome de “burnout” remonta à década de 70, quando o psiquiatra Herbert Freudenberger começou a investigar esse estado de perda de energia e de esgotamento de que sofriam os voluntários de uma clínica de Nova York. Descreveu este padrão comportamental como “uma sensação de fracasso e uma existência esgotada ou gasta, produto de uma sobrecarga que envolveu um dispêndio excessivo de energia, recursos pessoais ou força espiritual do trabalhador”.

    Dadas as sérias consequências a nível individual e organizacional que provoca o síndrome de burnout, profissionais e organizações devem pôr em marcha as medidas oportunas para detectar este padrão nas suas primeiras etapas e travar a sua evolução.

    Como se recuperar a nível individual? Quanto ao trabalhador, o doutor David Ballard, da Associação Americana de Psicologia, aconselha seguir as seguintes orientações pessoais.

    Aprender a relaxar. O  stress é um dos principais indicadores do síndrome de burnout, pelo que é necessário que a pessoa que o sofre adote hábitos que o ajudem a relaxar-se, como sessões de meditação, sessões de yoga, mindfulness ou simplesmente escutar música enquanto  lê um livro.

    Cultivar uma vida pessoal enriquecedora. Encontrar um hobby que gere entusiasmo, permitindo ao profissional desconectar-se do trabalho no seu tempo de ócio. Encontrar momentos de desfrutação e satisfação pessoais.

    Desconectar-se da tecnologia. Para evitar que as funções laborais persigam o empregado durante todo o dia, o especialista advoga para desconectar telefone e correio eletrônico fora do horário laboral. Evitar que os estressadores do trabalho contaminem o tempo que se deveria dedicar aos amigos e à família.

    Dormir. Descansar por noite menos de 6 horas produz um alto risco de esgotamento, o que gera por sua vez um baixo rendimento posterior no trabalho e a aparição da frustração, desmotivação e síndrome de trabalhador queimado. Um sono reparador permitirá recarregar a energia e enfrentar o novo dia com uma atitude mais entusiasta e positiva.

    Organizar-se. Os profissionais que sofrem o síndrome de burnout padecem de um bloqueio mental que os faz cometer erros, produzindo a sensação de que algo lhes escapa. Como solução, Ballard propõe planificar o dia e levar uma ótima organização de trabalho.

    Cuidar da saúde. O síndrome de burnout causa sérios problemas a nível físico (dores de cabeça, tensão muscular, problemas gastro-intestinais, maior risco cardiovascular…). São sequelas reais que, se se agravam, devem ser tratadas por um especialista.

    O que pode fazer a empresa pelos seus trabalhadores?

    Para o evitar, Roger Forbes Álvarez, em “A síndrome de burnout: sintomas, causas e medidas de atenção na empresa”, indica algumas medidas gerais que as companhias podem pôr em prática para criar ambientes de trabalho saudáveis:

    Realização periódica de avaliações de desempenho do capital humano para detectar, quanto antes, qualquer mudança de rendimento.

    Revisão contínua das funções, papeis e metas laborais fixadas para a estrutura, estudando que sejam adequadas e não causem a frustração dos profissionais.

    Fomento do empowerment e da participação dos empregados, potenciando a retroalimentação, a inclusão na tomada de decisões, a capacitação do pessoal, a autonomia e o autocontrolo das equipes.

    Impulso da criatividade dos trabalhadores.

    Fixação de linhas de autoridade e responsabilidade claras, que sejam compreensíveis dentro da estrutura organizativa.

    Implementação de sistemas de contratação que promovam a segurança laboral.

    Aplicação de políticas de equidade laboral (flexibilidade, promoção, salários…) que contribuam para melhorar o ambiente de trabalho.

    Fortalecimento do trabalho em equipe e da cooperação.

    Fomentar as relações interpessoais dentro da empresa.

    Fortalecimento de vínculos sociais entre os colaboradores.

    Realização constante de inquéritos de satisfação e motivação laboral, com especial incidência nos níveis de stress e de carga mental, a cultura e o clima laboral dos colaboradores.