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    Comitê de Diversidade: Maternidade e vida profissional: encarando desafios

    Publicado em 03/05/2019

    Por: Giovanna Zaccaria e Mariama Tomaz

    A mulher vem marcando a sociedade com sua perseverança para conquistar seu lugar no mercado de trabalho. Passou e ainda passa por grandes obstáculos e, durante décadas de contínua luta, a mulher tem tido cada vez mais seus direitos garantidos, tornando – se mais real a sua inserção no mercado de trabalho, conseguindo fazer valer seus direitos trabalhistas e provando o seu grande valor diante da sociedade.

    Mas também, a mulher possui inúmeros papéis sociais e cada um deve ser pensado singularmente para fazer valer que seus direitos estejam, de fato, sendo garantidos. Um dos papéis que geram grandes questionamentos e necessidade de revisão de necessidades constantes no contexto do ambiente de trabalho, é o papel da mulher que trabalha fora e também é mãe. No mercado de trabalho, as mulheres sempre tiveram medo de não parecerem disponíveis o suficiente e de parecerem mais preocupadas em cuidar dos filhos do que em trabalhar, o que poderia fazer com que perdessem o emprego. Como mecanismo de defesa e proteção, a mulher sempre tentou provar que era capaz de separar a vida pessoal da profissional.

    As mulheres acumulam muitos papéis e são, predominantemente, as principais responsáveis ​​pelas tarefas do lar e, além disso, gerenciam a vida para terem uma carreira de sucesso. As mães trabalhadoras enfrentam logísticas difíceis, responsabilidades, questionamentos, pressão e culpa socioculturais. Para muitas mulheres, o retorno ao trabalho acontece mais cedo do que está pronto e é mais difícil do que o esperado. Muitas experimentaram ansiedade de separação quando retornaram ao trabalho. A depressão pós-parto pode ocorrer a qualquer momento durante o primeiro ano do bebê e seu diagnóstico pode ser difícil porque os sintomas, como alterações de humor e fadiga, são comuns no pós-parto. As mães se sentem culpadas por estarem longe de seus filhos quando estão no trabalho. Quando estão em casa, pensam no trabalho e vice-versa, o que faz com que também se sintam culpadas. O tempo recomendado para amamentação exclusiva é maior do que o período de licença maternidade. Entre outras tantas situações que uma mãe trabalhadora tem que manejar.

    Tornar o papel da mãe mais fácil no ambiente de trabalho é responsabilidade da sociedade inteira, criando opções mais saudáveis para ela. Grande parte da vida é superar as partes difíceis. Foi-se o tempo que era preciso deixar os problemas pessoais na rua ao entrar no escritório e vice-versa. A solução é, como sempre, o equilíbrio.

    É importante que a empresa forneça algumas ferramentas que trarão mais conforto aos colaboradores com filhos dentro do ambiente de trabalho. Alguns benefícios, como home office, flexibilidade nos horários, ou fazer jornadas com mais intervalos, permitindo levar e/ou buscar os filhos na escola, por exemplo, permitem que os funcionários consigam adequar sua rotina com as atividades do trabalho. Além disso, evitam absenteísmo e a rotatividade, já que as pessoas terão mais qualidade de vida dentro de um ambiente corporativo. Flexibilizar os horários permite que os colaboradores não precisem escolher entre cuidar de si mesmos (ou de suas famílias) e se dedicar ao trabalho.

    Mas isso não é suficiente, uma vez que é igualmente importante encontrar empatia e transparência como cultura da empresa e entre as pessoas, onde os colaboradores possam expor suas dificuldades e problemas sem se sentirem prejudicados, pressionados ou culpados.

    A sociedade precisa avançar como um todo para acolher as mães trabalhadoras, fazendo com que a mulher também conquiste uma carreira de sucesso e consiga equilibrar a vida profissional com a maternidade sem experimentar as diversas desigualdades e pressões socioculturais.

     

    Dicas e referência:

    https://www.workingmother.com/

    Série da netflix: Working moms (Supermães, em português)

    Podcast : Sinuca de Bicos